quinta-feira, 14 de junho de 2012

Há aquelas pessoas que em crianças que sonhavam em ser pilotos de Fórmula 1, que pegavam no carro do pai às escondidas, que o seu objectivo de vida era fazer 18 anos para poderem tirar a carta de condução...pronto, há essas crianças. E depois existo eu. A minha apetência por máquinas é zero, quando era pequena nem sequer gostava de andar nos carrinhos de choque das festas, o meu sonho não é conduzir, é ter o Metro à porta e a minha ambição não é ter um Ferrari, é ter um motorista.
Ainda assim, quando chegou a altura, os meus pais e os meus avós lá me impingiram a carta. Tive de ir. Sabia o código na ponta de língua e passei no exame à primeira. As aulas de condução foram uma tortura, primeiro porque o instrutor era meio tarado, e depois porque o meu jeito para o volante é risível...Enfim, num golpe de sorte, o exame de condução correu-me lindamente, estava calma (talvez porque o engenheiro não fosse tarado, mas sim uma pessoa calma e decente), fiz tudo direitinho, mesmo estando um trânsito infernal na Avenida da Boavista e sendo hora de ponta, e consegui a proeza de não deixar o carro ir abaixo nem uma única vez. Passei.
A partir desse dia peguei no carro duas vezes. Uma para ir até Vila do Conde, e outra para vir da praia até casa, mas sempre com o meu pai ao lado. Passaram-se 6 anos. Nunca mais precisei de conduzir a pode dizer-se que ganhei alguma fobia - até tenho pesadelos durante a noite, em que vou a conduzir e o meu pânico é ter 3 pedais e apenas 2 pés e depois não consigo travar e por aí adiante. Sim, eu sou esse género de condutora (not).
Hoje, o meu pai lembrou-se que um dia destes posso precisar de conduzir para algum emprego e que convém ir tendo umas aulas (eu sei que ele tem razão...mas custa-me tanto...). Lá fomos, para um parque de estacionamento deserto, treinar um bocado e não foi mau de todo. No entanto, apareceu uma criatura equipada para correr, lá, no dito parque de estacionamento onde eu me encontrava em treinos. Dez mil metros de parque vazio e eu preocupada em não atropelar o ser...vai daí que faz ele? Deita-se no chão, no alcatrão, a fazer abdominais. Ali, a escassos quinhentos metros do meu carro. Acho que ele não percebeu o perigo em que esteve. Também andava para lá um cão e dois gatitos, mas o seu sentido de amor à vida apurado fê-los fugir para longe assim que me viram.

3 comentários:

Mary disse...

Eu também era assim. Estive muito tempo sem pegar num carro depois de tirar a carta. Entretanto o ano passado comecei a trabalhar e apesar de ir de boleia com o meu pai todos os dias, tive forçosamente de começar a conduzir e agora lá vou eu todos os dias sozinha para o trabalho. Se não conduzisse teria de apanhar 3 autocarros e sair muito mais cedo de casa. E é muito bom querer ir a algum lado e não ter de depender de terceiros para nos irem lá por ou buscar.

Carolina disse...

Eu também nunca fui muito dada a carrinhos de choque. Quando comecei as aulas de conduçao tabém nunca tinha pegado num carro na vida e era uma aselha. Mas após tirar a carta...oh, que maravilha!! Adoro conduzir, é uma sensaçao óptima, nao sei explicar, mas a-d-o-r-o :)

Eva Luna disse...

I'm soooo like that. :/
O facto de eu não precisar de andar de carro com muita frequência faz com que já tenha a carta há uns tempos mas a destreza de um nabo, naba neste caso. :)
Um da que precise nem sei como vai ser..