sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Alguma vaga para ser camelo no deserto?

Trabalhar num sítio em condições que estão MUITO longe daquelas que foram prometidas...dar o litro, vestir a camisola, fazer o melhor que se consegue nas condições que se tem, e - tantas vezes - fazer o impossível...chegar ao fim e perceber a ingratidão. Foi como se o chão me tivesse saído debaixo dos pés. O que eu ouvi hoje. O que ouvimos todas...é inqualificável. Já me tinham avisado que a Humanidade estava perdida, mas aqui a lorpa mantém sempre a chama da esperança acesa. Se eu fizer bem eles vão reparar, se eu for boa terapeuta, eles vão perceber, se as crianças gostam de mim e eu gosto delas, se me esforço para ter resultados, se faço horas extra, se ajudo colegas quando posso, se sou responsável, se não faltei uma única vez durante um ano...tudo isso vai ser reconhecido. Era o que eu pensava, só que não. Compensa mais escapar pelos intervalos da chuva, ser mesquinho, fazer de conta que se trabalha, encostar-se a quem manda, alinhar com os ignorantes. Ser hipócrita.
Estou tão desiludida, tão triste...apetece-me desistir da profissão e ir fazer outra coisa qualquer, de preferência num lugar onde não existam pessoas.


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