Avançar para o conteúdo principal

Adoro! :)

Crónica do RAP na Visão da semana passada.

A celebração dos 40 anos do 25 de Abril descobriu um número surpreendente de revolucionários. Gente que revela agora ter estado na clandestinidade, embora tenha mantido o facto clandestino durante quatro décadas. Ou que diz ter conspirado contra a ditadura, apesar de a conspiração ter permanecido secreta até hoje. Todos se arriscaram pela liberdade. Todos levaram a cabo uma actividade bastante subversiva, que os coloca apenas um degrau abaixo de Salgueiro Maia, na luta para derrubar o fascismo (eu digo fascismo. Isso do autoritarismo conservador é uma mariquice moderna). Todos distribuíram panfletos, compraram discos em segredo, uma vez deram boleia a um anti-fascista (o anti-fascismo, curiosamente, resistiu melhor que o fascismo. O anti-autoritarismo conservador nunca pegou). Mesmo os que o 25 de Abril apanhou a dormir, estavam a dormir revolucionariamente. Chega a parecer estranho que, num país em que toda a gente amava a liberdade, a ditadura tenha conseguido durar quase 50 anos. Nem uma pessoa confessa que até estava bastante bem instalada na vida e que nada a movia contra o Estado Novo. Com excepção, talvez, de Cavaco Silva. Honra lhe seja feita, porque não pretende convencer ninguém de que é apreciador da liberdade e da democracia.
Como é evidente, fico à margem de todas estas conversas. Infelizmente, nasci três dias depois do 25 de Abril, e não tenho um passado de luta e resistência para apresentar. Ou, pelo menos, era o que eu pensava. As histórias que tenho ouvido inspiraram-me a criar a minha própria narrativa de combate ao fascismo, toda ela verdadeira. Ora escutem. Passei os nove meses que antecederam o 25 de Abril na clandestinidade. E, também, preso. Na solitária. A cela era húmida, escura, e a comida parecia-me já ter sido mastigada. Resisti como pude a essa longa noite de fascismo e, quando o 25 de Abril chegou, foi como se eu tivesse nascido. A festa foi bonita, mas o fascismo mostrou a sua feia carranca até ao fim: mesmo à saída da prisão, ainda fui agredido, com umas palmadas. E confesso que chorei. Mais de choque e raiva do que de dor, mas chorei. Escuso de dizer que a minha vida, após o 25 de Abril, não tem nada a ver com o que era antes. É uma diferença radical, do dia para a noite. Foi como se tivesse finalmente aberto os olhos. Portanto, e à semelhança de tanta gente que, 40 anos depois, descobriu que lutou e sofreu pela liberdade, também eu passo a ter uma história impressionante de resistência ao fascismo.

Ler mais: http://visao.sapo.pt/a-muitos-fica-bem=f778778#ixzz30NfUxw6X

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Temos vestido!

Quer dizer, eu tenho vestido. Vou ao casamento de um casal amigo de quem gosto muito (fui eu que os apresentei!) e vou ler durante a cerimónia e tudo e tudo, o casamento é daqui a três semanas e eu ainda não tinha vestido. Pois que hoje isso mudou, entrei numa loja, peguei em quatro vestidos jeitosinhos e o primeiro que experimentei foi amor à primeira vista. É curto, liso, muito simples, custou 60 euros e acho que vai ficar muito giro com uns acessórios. É azul cobalto (é assim que se diz, não é?), assim como os da foto abaixo. Só que agora não sei bem que cor de sapatos usar...estava inclinada para o tom nude, mas será que fica melhor com azul escuro ou preto? Que dizeis?

Dia triste

Não há palavras para descrever a tristeza que se viveu ontem e hoje em Pedrógão Grande. Perdas irreparáveis, vidas humanas, animais...tudo o que se conseguiu com tanto sacrifício. A natureza destruída. É de facto, muito triste...não imagino como seja estar lá, nem sei a aflição que sente quem viveu e vive tudo no local. Não podendo fazer nada de maior, podemos contribuir de algum modo para confortar um bocadinho quem tudo perdeu. Pensemos que pode acontecer a qualquer um de nós. Pelo que tenho visto nas redes sociais, podemos ligar para o760 100 100, e o valor de 0.50€ reverterá para as famílias vítimas deste terrível incêndio. A todos os que estão lá, na luta, CORAGEM!

Estou sem saber o que fazer. Esta devia ser uma época de paz interior e eu tenho o coração angustiado. A culpa é minha. Eu sei que vai acontecer, sei que ele volta sempre a desiludir-me, uma e outra vez...que é uma questão de tempo, e no entanto, nunca consigo ser mais forte, ser racional. Quantas vezes já tive esta conversa aqui? Sei lá! Posso garantir que não sou burrinha, que antecipo este momento há meses, não posso dizer que seja uma surpresa, mas é sempre uma desilusão. Acho que não gosto assim tanto de mim...