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Mensagens

Fui ao Parque da Cidade para ler o meu livro, em paz, sossegadita, enquanto apanhava um bocadinho de sol. Impossível. Estando sozinha há sempre aves raras que acham, do alto da sua sapiência, que me devem fazer companhia. E então é com cada abordagem...A sério, acham mesmo que alguma rapariga, no seu perfeito juízo, fica encantada convosco? Não fica amigos, não fica. Quando muito, fica incomodada, porque lhe tiraram o momento zen e ela não está para aturar grunhos que vão perguntar as horas (tendo um relógio no pulso...) a mascar chicla de boca aberta. Não contentes com isso, ainda se colam a olhar para o decote da pessoa como se fosse a última coca-cola no deserto. Haja subtileza. Ao fim de 3, fechei o livro e vim para casa.

Pensando no futuro...

Eu: Já sabes o que queres ser quando fores grande?R. (5 anos): Sim, bombeiro!! Eu: Ah, que fixe! E mais alguma coisa? R.: Não, bombeiro já chega. Vou ter uma família pequena, não preciso de ser muitas coisas. E apanhou uma florzinha minúscula do jardim, para me dar. Adoro-o, é mesmo fofinho!:)
Os livros foram a melhor invenção de todo o sempre e são eles que me têm ajudado a passar o tempo. As noites de Sábado são as mais difíceis. Devia (re)começar a pegar em livros técnicos, mas não tenho casos, não tenho doentes e a motivação para o estudo vai-se. Sinto-me cada vez menos Terapeuta da Fala.

Estados de alma

"Sentou-se sozinho, no escuro. A depressão abatera-se sobre ele, sem apelo nem agravo. Num minuto estava sentado à secretária a ler alguns ficheiros e no outro o imenso peso negro caíra sobre ele com toda a força. Já lhe havia acontecido antes, sem nenhum sentido vago de desconforto, nem tristeza avassaladora. Apenas aquela onda imensa de negrume que o enrolava na sua espuma. Apenas aquela mudança abrupta da luz para a escuridão. Não se tratava de desespero. O conceito de esperança tinha de ser um factor a ter em conta antes de abraçarmos a sua ausência. Não se tratava de desgosto, aflição ou raiva. (...) Era um vazio. Incomensurável, negro, irrespirável e arrastava-o com ele. Conseguia funcionar apesar dele; aprendera a fazê-lo. Se não funcionasse, as pessoas não o deixariam em paz e os seus cuidados e preocupações apenas iriam afundá-lo mais no fosso em que se encontrava. Podia andar, falar, existir. Mas não conseguia viver. Era assim que se sentia, quando se deixava puxar por aque…
Não sei como se passa nas outras cidades, mas na minha há um monte daquelas escolas, que não sei bem o que leccionam, se são cursos profissionais, se são equivalências ao 12º ano, não faço ideia. O que sei é que quando passo por lá, estão invariavelmente, à porta (e peço desculpa por estar a generalizar porque há sempre excepções) pessoas com um aspecto pouco confiável, sempre a fumar, a falarem aos berros, a atirarem lixo para o chão e a serem mal-educadas com quem vai a passar. E não importa se são novos ou velhos, a educação ali não tem lugar. Não estou a falar decor, porque conheço professores e funcionários de duas das escolas, ouço histórias inacreditáveis, e admiro-os imenso porque, sinceramente, eu não conseguiria trabalhar num sítio com gente assim. E o mais bonito é que os "alunos" são pagos para frequentarem os ditos cursos. Lembrei-me disto hoje porque esta manhã fui à farmácia, que é lá perto, e de repente ouço um barulhinho e um senhor com a cara toda a sangrar…